“O Ser real é constituído de corpo, mente e espírito. Dessa forma, uma abordagem psicológica para ser verdadeiramente eficaz deve ter uma visão holística do ser, tratando de seu corpo (físico e periespirítico), de sua mente (consciente, inconsciente e subconsciente) e de seu espírito imortal que traz consigo uma bagagem de experiências anteriores à presente existência e está caminhando para a perfeição Divina.” Joanna de Ângelis
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POEMA DA GRATIDÃO


Senhor, nós desejamos agradecer
Agradecer tudo o que nos deste,
tudo o que nos dás: o ar, o pão, a paz.

Gostaríamos de agradecer-te a beleza
que vislumbramos nos painéis da natureza;
agradecer-te a visão,
a felicidade de poder enxergar.
Com os olhos vemos a terra, vemos o céu, detemo-nos no mar.
Graças à misericórdia da visão, Senhor,
podemos contemplar o nosso amor.

No entanto, diante de nossa claridade visual,
há os que não têm amanhecer,
e se debatem nas trevas sem a hora matinal.
Deixa-nos, por eles, orar.
Nós sabemos que depois desta vida,
na outra vida,
eles também poderão enxergar.

Muito obrigado, Senhor, pelos ouvidos meus,
ouvidos que me foram dados por Deus
e que ouvem o tamborilar da chuva no telheiro;
a melodia do vento nos ramos do salgueiro;
as lágrimas que choram
nos olhos do mundo inteiro;
a voz melancólica do boiadeiro.

Ouvidos que escutam a melodia do povo,
que desce do morro à praça a cantar;
As melodias dos imortais
que, ouvidas, não se esquece jamais.
Pela minha faculdade de ouvir,
deixa-me pelos surdos pedir.
Eu sei que depois desta vida, na outra vida,
eles também poderão ouvir.

Muito obrigado pela minha voz.
E também pela voz que canta, pela voz que ama, que fala de ternura,
pela voz que liberta o homem da amargura.
Obrigado pela voz da comunicação,
pela voz que ensina, que ilumina,
pela voz que nos dá consolação.

Mas, diante de tanta melodia,
recordo os que padecem de afasia,
os que não podem cantar à noite,
nem falar de dia.
Deixa-me, por eles, orar.
Um dia também vão falar.

Obrigado pelas minhas mãos,
mas também pelas mãos que amam,
pelas mãos que lavram, que aram,
que trabalham, que semeiam.
Pelas mãos que colhem, que recolhem.
Pelas mãos da caridade, da solidariedade.
Pelas mãos do amor.

Pelas mãos que cuidam as feridas,
as misérias da vida.
Pelas mãos que lavram as leis,
que firmam decretos,
que escrevem poemas de amor,
que escrevem cartas, livros,
e pelas mãos da carícia.
Mas, sobretudo, pelas mãos que no seio
abrigam os filhos de corpo alheio.

E pelos pés que me levam a andar,
obrigado, Senhor, porque posso caminhar.
Diante do corpo perfeito deixa-me louvar
porque vida tenho na terra,
olhando os que jazem no leito de dor,
os paralíticos, os amputados,
aleijados, infelizes, marcados, desgraçados,
deixa-me por eles orar.
Um dia bailarão, na outra encarnação.

Obrigado, Senhor, pelo meu lar,
meu doce cantinho,
minha tapera, minha favela, meu ninho,
minha mansão, meu bangalô, meu palácio,
meu lar de amor, meu amor.
Quem pode viver sem o amor?
Seja o amor de uma mulher, de um irmão,
de um amigo, de um aperto de mão.
Até de um cão.
Quem suporta a solidão?

Mas se eu não tiver ninguém,
nem um amigo para minha mão estreitar,
nem uma cama para me deitar,
nem lar, nem mesmo lar,
deixa-me dizer-te, Senhor
que tenho a ti,
que amo a vida,
que é nobre, colorida.

Deixa-me dizer que creio em ti,
dar graças porque nasci!
Obrigado, Senhor, pela crença.
Pelo Teu amor, muito obrigado, Senhor.

(Divaldo Franco profere esta oração ao final de suas palestras)

Deus...


Passei tanto tempo de procurando, não sabia onde estavas.

Olhava para o infinito, não te via

E pensava comigo mesmo “será que tu existes?”

Não me contentava na busca e prosseguia.

Tentava te encontrar nas religiões e nos templos.

Tu também não estavas.

Te busquei através dos sacerdotes e pastores.

Também não te encontrei.

Senti-me só, vazio, desesperado e descri.

E na ofensa, tropecei.

E no tropeço, caí.

E na queda, senti-me fraco.

Fraco, procurei socorro.

No socorro, encontrei amigos.

Nos amigos, encontrei carinho.

No carinho, eu vi nascer o amor.

Com o amor, eu vi um mundo novo

E no mundo novo, resolvi viver.

O que recebi, resolvi doar.

Doando alguma coisa, muito recebi

E em recebendo, senti-me feliz

E ao ser feliz, encontrei a paz

E tendo paz foi que te enxerguei

Que dentro de mim é que tu estavas!

E sem procurar-te foi que te encontrei.


(Imagem da Nebulosa Carina - "Mystic Mountain")

EM LOUVOR AO IRMÃO SOL


Quando chegaste à Terra, a noite medieval espalhava o terror, mantendo a ignorância em predomínio de que se locupletavam os poderosos para esmagar os camponeses e os citadinos e pobres.


Havia superstição e medo em toda parte, caminhando a humanidade sob o estigma do pecado e do vício que eram punidos com impiedade.

Tu chegaste, e apresentaste a Verdade, que nunca mais deixou de iluminar a sociedade.

Existam a perversidade sem disfarce e a discriminação de todo tipo, havendo-se tornado o homem o lobo do homem, assim ficando desprezível.

Na tua simplicidade santa cantaste o hino de louvor a todas as criaturas, chamando-as docemente de irmãs.

Permanecia epidêmico o ódio, que espalhava o bafio pestilento das guerras intérminas, deixando os campos juncados de cadáveres que apodreciam a céu aberto...

Tua voz, suave e meiga, entoou, então, o canto da paz, e te fizeste o símbolo da verdadeira fraternidade que um dia se estenderá por toda a Terra.

As epidemias dizimavam os seres humanos, reduzidos a hilotas do destino insano, dentro da terrível fatalidade do sofrimento sem termo.

A fé religiosa com a sua pompa extravagante amparava-se nos fortes e os ajudava a perseguir e malsinar os fracos, mas tu tiveste a coragem de despir-te das sedas e brocados do teu pai, desnudando-te, paras nascer novamente, dedicando-te, a partir daquele momento, aos leprosos de Rivotorto...

No início do teu ministério, quando se aproximaram os primeiros servidores do Amor, riscaste no chão uma cruz e enviaste-os aos quatro pontos cardeais do mundo, para que todos conhecessem o Sol de Primeira Grandeza. Enquanto Ele os houvera enviado dois a dois, tiveste a coragem de os encaminhar a sós, porque sabias que Ele seria o companheiro inseparável daqueles abençoados heróis do amor em todos os seus momentos.

Num período em que a fé religiosa inspirava pavor, aqueles que se consideravam representantes de Deus no mundo, distanciando-se cada vez mais das ovelhas que deveriam pastorear, tomaste a vestimenta de ovelha branda e reuniste aquelas desgarradas, formando um novo rebanho...

Nos teus dias, e mesmo um pouco depois, ninguém te resistia a presença, a voz, a vibração de inefável amor...

Nem mesmo o lobo feroz de Gúbio ou as andorinhas gárrulas, que te perturbavam a canção de amor, quando cantavas aos ouvidos atentos dos sofredores no altar da Natureza, fazendo-as calar-se.

No forte verão, quando tinhas a vista queimada pelo ferro em brasa e estavas ao ar livre, percebeste pelo zumbido das abelhas que lhes faltavam pólem e flores para fabricar mel. Não trepidaste em solicitar à tua irmã Clara que providenciasse do monastério o alimento para aquelas irmãzinhas laboriosas...

Quem se atreveu a comportar-se dessa forma, depois dEle, a quem tanto amaste, a ponto de imitá-lO em todos os teus momentos, a partir do instante em que Ele te chamou para a reedificação da Sua igreja moral que estava em escombros?

Oh! Irmão Cantos dos desesperados e esquecidos!

O mundo moderno, rico de glórias ligeiras e pobre de sentimentos, orgulhoso das suas conquistas rápidas, mas que não nota a imensa aflição em que se estorcegam as multidões famintas e excluídas da sua sociedade, vivendo uma insuperável noite de horror e de incertezas, necessita de ti com muita urgência.

Nunca houve tanta carência de amor quanto agora, por isso, o teu canto virá diminuir a angústia que se transformou em patética afligente na Terra sofredora.

Há, sem dúvida, grandezas que defluem da ciência e da tecnologia, mas a solidão, a ansiedade, o medo e as incertezas, todos eles filhos do materialismo insensível produzem o vazio existencial, os transtornos psicológicos graves, as doenças psicossomáticas, a loucura pelas drogas, pelo alcoolismo, pelo tabaco, pelo sexo desvairado, levando suas vítimas à fuga pelo suicídio injustificável.

Volta, Irmão Francisco, para novamente reunir as tuas criaturas, todas elas à tua volta como fizeste naqueles dias já recuados, conduzindo-as a Jesus.

Novamente convoca os teus irmãos Leão, Rufino, Chapéu, assim como aqueloutros que contigo construíram o mundo que te escuta há oitocentos anos, mas não tem coragem hoje de seguir-te os passos.

Quantos te abandonaram após a tua volta ao Grande Lar?!

Ainda escutamos o silêncio da deserção deles na turbulência das atrações de onde haviam saído e para onde retornaram com avidez...

Eles estão novamente, na Terra, aturdidos, saudosos, aguardando a tua voz que conhecem e não conseguem esquecer.

A tua Assis querida agora está ampliada além das muralhas em que se resguardava, e a sociedade em agonia deseja pertencer-lhe à cidadania.

Há música no ar, silêncio nos corações e lágrimas nos olhos de quase todas as criaturas destes dias de inquietações e de incertezas,

Em decorrência, há uma grande expectação, denunciando a espera...

Volta, por favor, Irmão Alegria, a fim de que a tristeza do desamor bata em retirada e uma primavera de bênçãos tome conta de tudo.

O céu azul que te agasalhou e os campos verdes com lavanda perfumada que os teus pés feridos pisavam, continuam aguardando-te.

Há multidões que te vêm louvar, bulhentas e festivas, mas indiferentes ao teu chamado, sem valor para te seguir.

Cantarão, então, novamente, a tua oração simples, a que nos brindaste naqueles dias inesquecíveis, e onde houver desespero faze que se manifestem a paz e a esperança, e em razão da ameaça da morte iminente, o ser ressurja em júbilos antes as certezas da ressurreição, porque é morrendo que se vive para sempre.

Irmão Sol, a grande noite moral da atualidade te aguarda ansiosa!

Joanna de Ângelis

(página psicografada por Divaldo Franco na tarde de 03/06/2009 junto à tumba de S. Francisco, ao lado de diversos amigos, em Assis/Itália).

Material publicado no livro “Vitória sobre a Depressão”

NESTE NATAL

Senhor Jesus!

Diante do Natal, que te lembra à glória na manjedoura, 
nós te agradecemos: 

a música da oração
o regozijo da fé
a mensagem de amor
a alegria do lar
o apelo à fraternidade
o júbilo da esperança
a bênção do trabalho
a confiança no bem
o tesouro de tua paz
a palavra da Boa Nova
e a confiança no futuro!...

Entretanto, ó Divino Mestre!
De corações voltados para o teu coração,
nós te suplicamos algo mais!...
Conceda-nos, Senhor, o dom inefável da humildade
para que tenhamos a precisa coragem de seguir-te os exemplos!

Emmanuel 
(psicografado por Chico Xavier)