“O Ser real é constituído de corpo, mente e espírito. Dessa forma, uma abordagem psicológica para ser verdadeiramente eficaz deve ter uma visão holística do ser, tratando de seu corpo (físico e periespirítico), de sua mente (consciente, inconsciente e subconsciente) e de seu espírito imortal que traz consigo uma bagagem de experiências anteriores à presente existência e está caminhando para a perfeição Divina.” Joanna de Ângelis
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Vida a Dois


            Na atualidade, o casamento, assim entendidas todas as formas de união permanente, também experimenta os reflexos destes dias de grandes transformações sociais, desencadeadas, entre outros fatores, pela evolução das comunicações, dos métodos contraceptivos e das condições sócio-econômicas da mulher.
            Novos comportamentos, superando preconceitos cristalizados e falsos moralismos, têm caracterizado os tempos presentes, alcançando destacadamente as novas gerações, que pressionam os antigos sistemas em ambiente social permissivo, sem encontrarem orientação segura, para que seus anseios de liberdade não levem ao enfrentamento de desequilíbrios.
            As leis humanas são mutáveis e ajustam-se aos conceitos prevalecentes no grupo social. Adaptam-se às exigências das sociedades a partir de suas concepções e senso ético.
            As leis divinas, no entanto, são imutáveis e universais, tendo no Amor a sua mais ampla expressão, a partir da atração entre seres que se buscam, conforme os estímulos espontâneos da afinidade.
            Em toda a natureza, animada ou inanimada, das partículas subatômicas aos sistemas planetários, dos seres unicelulares aos seres humanos, entre espíritos encarnados e desencarnados, as forças de atração e a lei natural das afinidades geram aproximações e relacionamentos.
            O homem, na condição de espírito encarnado em evolução, sendo consciência que se expande em processo de autorrealização, submetido ao conjunto de leis naturais que traduzem a infinita sabedoria, justiça e amor de Deus, assume responsabilidade por todas as suas manifestações perante a vida, determinando conseqüências imediatas ou futuras, na dimensão de sua posição evolutiva.
            Ao decidir o curso de seus impulsos afetivos conforme os seus próprios desejos, estabelece compromissos inevitáveis de consciência, que serão exigidos pelos processos educativos da vida, estruturando-lhe o destino através de experiências mais ou menos felizes, no âmbito de seu ajustamento emocional e da harmonia de seus relacionamentos.
            Através de encontros e reencontros neste lado da vida, almas aprendizes na arte de amar desfrutam oportunidades de retificarem, estabelecerem ou afirmarem compromissos afetivos, aprimorando seus sentimentos através dos desafios da convivência amorosa e, portanto, responsável.
            As mãos que se entrelaçam carinhosamente traduzem a sincera disposição dos corações para uma encantadora vida a dois, mas sempre representam inarredável compromisso das consciências perante a lei do Amor, que é capaz de sustentar os embates das almas aproximadas pelo afeto em suas necessidades de progresso e em seus legítimos anseios de felicidade.

(“Palavras de Luz” – Jornal do Grupo Espírita Francisco Xavier, n. 68 / junho de 2008 – rua Caju 87, Porto Alegre) 

Casamento


Segundo a nobre mentora Joanna de Angelis em "Amor Imbatível Amor", o resultado natural do amor entre duas pessoas é o casamento, tendo por meta a comunhão física, o desenvolvimento da emoção psíquica, o relacionamento gerador da família e o companheirismo.

Diz ela:

O matrimônio representa um estágio de alto desenvolvimento do Self, quando se reveste de respeito e consideração pelo cônjuge, firmando-se na fidelidade e nos compromissos da camaradagem em qualquer estágio da união que os vincula, reciprocamente, um ao outro ser.

Conquista da monogamia, mediante grandes lutas, o instinto vem sendo superado pela inteligência e pela razão, demonstrando que o sexo tem finalidades específicas, não devendo a sua função ser malbaratada nos jogos do prazer incessante, e significa uma autorrealização da sociedade, que melhor compreende os direitos da pessoa feminina, que deixa de ser um objeto para tornar-se nobre e independente quanto é. O mesmo ocorre em relação ao esposo, cabendo à mulher o devido cumprimento dos deveres de o respeitar, mantendo-se digna em qualquer circunstância e época após o consórcio.

(...) Por isso, quando o egoísmo derruba os vínculos do matrimônio por necessidades sexuais de variação, ou porque houve um processo de saturação no relacionamento, havendo filhos, gera-se um grave problema para o grupo social, não menor do que em relação a si mesmo, assim como àquele que fica rejeitado.

Certamente, nem todos os dias da convivência matrimonial serão festivos, mas isso ocorre em todos os campos do comportamento. Aquilo que hoje tem um grande sentido e desperta prazer, amanhã, provavelmente, se torna maçante, desagradável. Nesse momento, a amizade assume o seu lugar, amenizando o conflito e proporcionando o companheirismo agradável e benéfico, que refaz a comunhão, sustentando a afeição.

Em verdade, o que mantém o matrimônio não é o prazer sexual, sempre fugidio, mesmo quando inspirado pelo amor, mas a amizade, que responde pelo intercâmbio emocional por intermédio do diálogo, do interesse nas realizações do outro, na convivência compensadora, na alegria de sentir-se útil e estimado.