“O Ser real é constituído de corpo, mente e espírito. Dessa forma, uma abordagem psicológica para ser verdadeiramente eficaz deve ter uma visão holística do ser, tratando de seu corpo (físico e periespirítico), de sua mente (consciente, inconsciente e subconsciente) e de seu espírito imortal que traz consigo uma bagagem de experiências anteriores à presente existência e está caminhando para a perfeição Divina.” Joanna de Ângelis

Transtorno Obsessivo - Compulsivo ( TOC )

É no mundo íntimo, no inconsciente pessoal, que se encontram as fixações perversas e desvairadas do primarismo do ser, que permanecem durante o período da razão, gerando distúrbios que reaparecem na consciência atual, desestruturando os equipamentos da saúde física, psíquica e, especialmente, da emocional.

O transtorno obsessivo-compulsivo se caracteriza por:

- pensamento compulsivo: quando a consciência é invadida por representações mentais involuntárias, repetitivas e incontroláveis. Trata-se de um objetivo defensivo do inconsciente pessoal, impedindo que o doente tome conhecimento da sua realidade interior, dos seus legítimos impulsos e emoções.

- atividade compulsiva: que se apresenta como incoercível necessidade de ações repetidas. Podem variar para fórmulas, rituais, cerimônias, como atavismos ancestrais, em imagens arquetípicas perturbadoras. É um mecanismo que busca fazer uma catarse da ansiedade de que se é vítima.

- caráter obsessivo: o indivíduo que o possui mostra-se sistemático, impressionando pela rigidez do comportamento, inclusive para com eles próprios. São portadores de sentimentos nobres, confiáveis e dedicados ao trabalho, que exercem até o excesso.

Sobre o Caráter obsessivo

Sentindo-se obrigados, desde cedo, a reprimir as emoções e sentimentos outros, tornam-se ambivalentes, escapando-lhes de controle os que se constituem de natureza hostil, apresentando-se mais como intelectuais do que sentimentais, mecanismos escapistas que se impõem inconscientemente.

São relevantes, com relação a isto, os estudos de Freud com relação ao caráter anal (em razão das exigências da mãe quando no trato com eles na infância, higienizando-os, exingindo-lhes obediência irracional a horários rígidos, incluindo aqueles para as funções intestinais; através dessas imposições, as mães negavam-lhes afeto e identificação emocional).

Na fisiopatologia pode-se detectar anomalias biológicas, como: epilepsia do lobo temporal, aumento expressivo de atividade metabólica no giro orbital esquerdo e até mesmo uma alteração cromossômica na constituição do ser.

Sob ponto de vista neurológico observa-se a influência não somente de epilepsia no lobo temporal, mas também da coréia de Sydenhan, da síndrome de Giles de la Tourette, etc. Há aumento do fluxo sanguíneo cerebral no córtex orbitofrontal, neostriatum, globo pálido e tálamo, no hipocampo e córtex posterior do giro cíngulo.

Esses desencadeadores dos transtornos psicóticos obsessivo-compulsivos, do ponto de vista psicológico, encontram-se no inconsciente pessoal, como herança também de atos transatos, sem dúvida, no qual estão inscritos igualmente os códigos das imagens arquetípicas que permitem, por outro lado, a vinculação com outras mentes ora desencarnadas. Essas entidades impõem-se o direito de cobranças esdrúxulas.

Ainda sobre a compreensão espiritual

Porque permanece impressa nos painéis do inconsciente pessoal, nos refolhos do perispírito a dívida moral, os pacientes assimilam, as ondas mentais das suas antigas vítimas, que são convertidas em sensações penosas, em forma de consciência de culpa - lavar as mãos, assepsiar-se em demasia, sentir o corpo sempre sujo - tanto quando a captação de odores pútridos - ativação da pituitária pelo psiquismo que sente necessidade de reparação - que são exteriorizados pelos cobradores espirituais.

Sob outro aspecto, esses endividados espirituais reencarnam com os fatores neurológicos e orgânicos, em geral impressos no corpo perispiritual, em face dos transtornos morais que se permitiram anteriormente, de forma a experimentarem a recuperação moral mediante o processo depurador a que ora fazem jus.

Tratamento

A psicoterapia cognitivo-comportamental, bem conduzida em relação a esses enfermos, ameniza ou produz a cura dos efeitos danosos e mórbidos; no entanto, a terapêutica bioenergética, por alcançar os fulcros espirituais de onde se exteriorizam os campos vibratórios, interrompe a emissão da energia enfermiça, afastando os agentes que, necessariamente atendidos, orientados e confortados moralmente, terminam por abandonar os propósitos malsãos em que permanecem e libertam os seus inimigos, entregando-os à Consciência Cósmica.

Evidentemente, o contributo de alguns barbitúricos e fármacos diversos, sob cuidadosa orientação psiquiátrica, portadores de inibidores de reabsorção de serotonina, torna-se de inestimável significado para o reequilíbrio do paciente. Entrementes, a educação, o trabalho junto ao enfermo, auxiliando-o na mudança de atitude perante a vida, de comportamento mental, de sentimento rancoroso e agressivo em relação ao seu próximo, para o qual, não raro, transfere o perigo de trazer-lhe contaminação, resulta em valiosa psicoterapia para o reequilíbrio do Self, e lento, posterior, mas seguro bem-estar.

Material de Joanna de Angelis, do livro Triunfo Pessoal (Psicografado por Divaldo Franco)

Imagem: obra de Salvador Dali - "Persistence of Memory"


9 comentários:

  1. Penso que Freud andou bem perto na razão em quase tudo se ele fosse espírita seria completo... muitas ideias da psicanálise sendo vistas nas questões de coisas que aconteceram nas vidas passadas explicaria muitas coisas relacionadas a problemas mentais diversos que são na verdade o inferno interiorizado de situações que se vive, faz e experimenta do exterior.

    ResponderExcluir
  2. "Trata-se de um objetivo defensivo do inconsciente pessoal, impedindo que o doente tome conhecimento da sua realidade interior, dos seus legítimos impulsos e emoções". Não entendi "objetivo defensivo do inconsciente". O que isso significa?

    ResponderExcluir
  3. A maior parte de nosso mundo mental encontra-se inconsciente, inacessível à consciência. Para isto, todos possuímos mecanismos que mantém pulsões, lembranças, etc.lá, e os definimos como defensivos. Na pessoa portadora de TOC, os pensamentos obsessivos servem para camuflar a verdadeira causa da ansiedade: não estou ansioso em função da decisão X, não paro de pensar na decisão X porque, na verdade, não quero pensar no assunto Y". Att

    ResponderExcluir
  4. N o caso do TOC de verificação, me parece que a causa principal é a culpa que a pessoa sente por atos cometidos e assim se propondo a não mais errar, ten de a querer fazer tudo certo, muito certo. Se acha de alguma forma ERRADA, então tem que limpar esse erro fazendo tudo bem certinho. Não é perfeccionismo, mas sim MEDO DE ERRAR DE NOVO. Acredito que não basta eliminar sintomas como se faz atualmente com remédios e psicoterapia cognitivo comportamental, mas sim buscar a cura eliminando a culpa.
    E se elimina a culpa de duas formas:
    --Perdoando-se do fundo do coração e aceitando que todo mundo erra.
    -- Buscando fazer coisas boas para o seu próximo e para sí mesmo...doando amor, fazendo a caridade. Assim a pessoa se verá diferente. Se verá como alguém que TAMBÉM FAZ COISAS BOAS, que não é de todo errado. Tomando atitudes boas agora, se verá como uma nova pessoa e conseguirá esquecer os erros do passado.
    E também é necessário que a pessoa ACEITE que ela é um ser que erra...que PODE errar como todo mundo. Abandonar a idéia de que tem que ser perfeita pra ser aceita por Deus e pelos outros. Que errar faz parte da existência e quando se erra basta se reciclar e depois tomar o caminho certo.
    Acho que fazendo isso, a culpa que assola o obssessivo pro perfeição vai desaparecendo e a necessidade de "nunca mais errar" vai desaparecer de seu pensamento.

    ResponderExcluir
  5. E a culpa pode ter sido originada pelas exageradas exigências de um pai por sua vez emocional e psicologicamente enfermo.

    ResponderExcluir
  6. TOC é um transtorno de ansiedade.
    Não é psicose

    ResponderExcluir
  7. Corretíssimo! No atual DSM IV o TOC é definido como um transtorno de ansiedade - diferente da época em que Joanna de Angelis lançou o livro. Muita paz.

    ResponderExcluir
  8. Corretíssimo! No atual DSM IV o TOC é definido como um transtorno de ansiedade - diferente da época em que Joanna de Angelis lançou o livro. Muita paz.

    ResponderExcluir